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Uso de opioides no Brasil: uma crise à espreita?

Indícios de uso abusivo e prescrição inadequada de narcóticos para o controle da dor geram temor de que a “epidemia” de abuso de opioides que abalou países como Estados Unidos e Canadá esteja chegando ao Brasil.

Segundo os Centers for Disease Control and Prevention (CDC) dos EUA, o país registrou 75.673 mortes por overdose de opioides entre abril de 2020 e abril de 2021. [1] Em 2018, pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) publicaram um artigo no periódico American Journal of Public Health (AJPH) no qual informam um aumento de 465% na prescrição de opioides no Brasil entre 2009 e 2015. [2] Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o uso de produtos à base de codeína para quadros de dor moderada aumentou 95% no período.

“Nos últimos três anos houve um aumento importante de pedidos de consultoria por suspeita de abuso de opioides no hospital”, relatou a Dra. Lisia von Diemen, psiquiatra e professora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e chefe da Unidade de Ensino e Pesquisa do Serviço de Adição do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA).

Segundo a médica, em 2016, havia um pedido de consultoria a cada três meses; em 2018, passou a média passou para um caso por semana. “Geralmente, a morfina ou outros opioides são utilizados para o tratamento intra-hospitalar de quadros de dor aguda. Mas o paciente pode seguir usando após a alta e desenvolver dependência”, explicou.

 
Segundo a Dra. Lisia, a oxicodona – ela é 1,5 vezes mais forte do que a morfina e uma das principais responsáveis pela “epidemia” de abuso de opioides nos EUA – é cerca de 10 vezes mais cara do que a codeína, o opioide oral mais utilizado no Brasil. “Talvez isso ajude a entender por que a oxicodona não teve o mesmo impacto aqui”, disse.

O que é e como funciona a Desintoxicação de Opiáceos e Opioides

 
Denúncias recentes expuseram um esquema de desvio de frascos de codeína por um funcionário terceirizado do Hospital de Pronto Socorro de Porto Alegre (HPS) para o tráfico. [3] E, em 2019, a Polícia Federal desarticulou uma quadrilha que traficava fentanil desviado por funcionários da Santa Casa de Misericórdia em São Paulo e importado da China para diversos compradores no Brasil e nos EUA. [4] Também há, no entanto, uma forma de uso lícito, por meio de prescrição, que tem no médico um dos protagonistas da potencial “epidemia”.

O HCPA, assim como outros hospitais brasileiros, tem tomado medidas para evitar desvios, educar os profissionais de saúde sobre a prescrição de opioides e adotar protocolos para ajudar a identificar pacientes com maior risco de adição. As medidas diferem conforme a realidade do local e a especialidade/função dos profissionais.

Lançado em 23 de novembro de 2021, o Protocolo Nacional de Cefaleia do UnitedHealth Group Brasil, pretende elevar a qualidade do atendimento a pacientes com cefaleia nos serviços de emergência. Uma das metas é reduzir a prescrição de opioides, que varia entre 5% e 30% nos hospitais da rede.

Opioides - receptores, efeitos colaterais e principais drogas / Blog Jaleko

Segundo o neurologista Dr. Marcelo Calderaro, a migrânea é a sexta maior causa de busca por atendimento de emergência no Hospital Samaritano Higienópolis, da rede Americas. “Vemos com frequência os opioides sendo prescritos de forma equivocada para pacientes com essa condição”, afirmou o médico. Ele explicou ainda que existe uma confusão entre o tratamento da dor aguda associada a doenças como litíase renal e o tratamento da dor associada a uma doença crônica, como é o caso da migrânea.

Fonte: Medscape

‘‘pois ele é o nosso Deus, e nós somos o povo do seu pastoreio, o rebanho que ele conduz.’’ Salmos 95:7a  (para entender, clique aqui, assista ao vídeo e se surpreenda)
Fonte
Márcio Antoniassi
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